11.3.12

As prioridades.


Toda a gente tem as suas.
Toda a gente decide o que quer para si e até aqui estamos todos bem. O problema é que quando alguém arranja uma prioridade falsa para nos inserir na sua patética vida. Sou, por princípio, mente aberta (ou tento sê-lo a mais das vezes para não me acusarem de arrogância). Contudo, isso não significa que aceite passivamente a mentira e o engano (pese embora todos o façamos em diferentes graus e, nessa área, também já falhei e aprendi a não falhar [ressalva feita para não me acusarem de moralismos]). Neste campo acredito numa confrontação. Quando ela ocorreu senti algo a tremer e devia ter adivinhado que era eu a relembrar as juras malfeitas que já ouvi.  Deveria não ter dado uma segunda chance, mas infelizmente acredito na diferença e na capacidade de mudança. Quando alguém tenta ser algo que não é não resta nada. E pese embora a idade do corpo, quando as prioridades se baralham e se vive uma vida sem vida no meio, a idade mental é tão baixa que só dá vontade de cair fora. Cair fora e deixar alguém com cara de diva mal fodida.
E o que penso? Penso que já devia ter aprendido a não me meter com crianças.

1.3.12

O rato, a garrafa e o político.


Em dois dias diferentes, mas na mesma semana, apliquei dois exames de avaliação cognitiva e tenho a dizer que foram coisas bastante divertidas. Em certa altura, é necessário que a pessoa repita a frase "O rato roeu a rolha". Desengane-se quem pensa que esta seria uma das perguntas mais fáceis.
Resposta I
- Diga “O rato roeu a rolha”.
- Da garrafa.
- Não. Diga só "O rato roeu a rolha".
- Da garrafa.
- Não. Só quero que diga "O rato roeu a rolha".
- Da garrafa. *gargalhadas*
Resposta II
- Diga “O rato roeu a rolha”.
*gargalhadas*
- D. G.?
*gargalhadas*
- “O rato roeu a rolha”.
*gargalhadas*

Estas duas situações são o objetivo dos nossos políticos.
O presidente da república enquadra-se em pleno na situação II. Ora depois da polémica (não-polémica que cada um sabe de si) das pensões do chefão, o PR anda numa de tentar a reabilitação da sua imagem pessoal. Por isso, afirma o óbvio: "É preciso olhar às pessoas". Isto no contexto de afirmar que é impossível impor mais austeridade. E faz a vontade ao povo que repete três vezes em cinco minutos que “ninguém olha por nós”, “não temos dinheiro para isto”. Quando disse que não tinha dinheiro, foi o fim da macacada. Quando diz que os outros não têm dinheiro, a macacada começa e dá mesmo vontade de rir. É que um rato naturalmente rói. E pode ser a rolha que, obviamente, está para a garrafa. Afirmar o que é óbvio é uma estratégia política brilhante. E faz-me ficar bem mais bem-disposto.
Já ao Secretário de Estado da Cultura assenta-lhe como uma luva a resposta II. Num país que se quer regrado, onde a austeridade manda mais que o governo, há um grito de liberdade, muito similar ao do Ipiranga, que grita “escrevam como quiserem”. Eu aposto que baixinho Francisco Viegas deve ter dito “mas não me chateiem os cornos que eu estou de direta”. Aqui mora o livre arbítrio, cada um sabe de si e escreve ao seu próprio jeito. O que é que este país quer mais? De um acordo ortográfico cheio de asneirolas e afins, chegamos a um acordo que nem é bem um acordo. O que se acorda é que cada um faz o que quer. Por isso, “o rato roeu a rolha” passa-se a ser “da garrafa”. Cada um sabe de si. E o PR sabe de todos e afirma-o com muita classe.
O que queremos mais, nós? Temos um PR que é tão solidário connosco que seria impossível pedir mais e somos livres de escrever como quisermos. Acho que afinal já não vou emigrar.

26.2.12

Piolhices

Num momento, a estupidez bateu-lhe forte.
E pressionou o botão enviar.
Contra o que pensou, a resposta não tardou a chegar. Antes de abrir sabia, por instinto, o que iria sentir quando a lê-se. Mas não o sentiu. 
A melhor parte de mudar de vida é que ela depois muda connosco. 
Respondeu.
E recebeu resposta de volta.
E pensou que as pessoas são loucas. Loucas em definir cada milímetro da sua vida e da sua pele. Loucas em querer afirmar o jamais, o nunca e o para sempre.
E parou. Atirou um sorriso para si, só seu, de mais ninguém, por mais ninguém, nem devido a alguém. Um sorriso de si para si. Como quando se compra uma peça de roupa nova. Um presente para usar. Um sorriso só seu. Tornou-se dono de um sorriso.

25.2.12

Sinceridade.


A sinceridade é uma abertura do coração. 
Encontramo-la em muito poucas pessoas, 
e essa que vulgarmente por aí se vê não passa de 
uma astuta dissimulação para atrair a confiança alheia.

24.2.12

Triste país este...

Não me refiro à crise nem à estupidez que grassa em cada esquina.
Não me refiro à senhora da Vadeca que se armou em estúpida quando me atirou com um “boa noite só se for para si que não trabalha e já se vai embora” à saída do centro de saúde. Começasse-se a taxar a estupidez e este país era rico. Rico, também, às custas de um Parlamento que discute e chumba a adopção por casais homossexuais.
Não entendo. Não entendo. Triste país este que paga subsídios às mulheres arraçadas de coelho que pinam com o vizinho de cima, com o irmão, com o tio do cunhado da irmã, com o filho da vizinha do lado e com o marido da do outro lado. Triste país este que não percebe que paga subsídios a essas mulheres e que elas têm os filhos porcos, badalhocos, imundos. Filhos que levam porrada atrás de porrada. Que são institucionalizados. Mas que não podem ser adoptados por duas mulheres ou dois homens.
Ai porque é estranho, ai porque não pode dizer quem é a mãe ou o pai, ai o caralho pessoazinhas, ai o caralho!
Triste país este. Palavra de honra. Nunca irei entender isto. Nunca. Nunca vou perceber a homofobia, o racismo e a distanásia. Nunca vou entender o porquê de as pessoas se ficarem pela ignorância dos dados adquiridos em vez de pensarem, questionarem, saírem do armário dos seus dogmas impostos. A liberdade de ideias, a formulação de opiniões bem construídas. Meus senhores, a mente educa-se. Para nós é um ultraje a maneira como tratam o sexo feminino lá na terra daqueles maluquinhos que só sabem explodir coisas (esqueci-me de referir que os estereótipos também me fazem impressão nas unhas). Para eles é normal. Foi assim que foram educados. A nossa educação determina o que somos? Sim. E não. Sim, porque a herança cultural antevê os limites morais. Não, porque, como seres racionais que deveríamos ser, somos capazes de usar o discernimento e decidir. Mas isso dá trabalho. Muito trabalho.
Triste país este.

18.2.12

O novo cardeal e o xarope de cenoura.

A Igreja já viu de tudo. E eu hoje vi aqui algo que de facto me dá vontade de bater palminhas. 
Sinceramente, não consigo compreender o que se passa com este país. Uns comem do mesmo tacho, outros fumam da mesma erva. Caro Cardeal, o que você precisa é de sexo. Experimente. É muito bom. E, se depois puder, durma em "conchinha". De manhã, faça-lhe um pequeno-almoço. Ou faça quilómetros apenas para lhe fazer um bolo de chocolate e vai perceber que o local da mulher é ao lado de um homem que a ame, assim como o local de um homem é ao lado de uma mulher que o ame. E as crianças de que tanto fala são educadas em comunidade, pela sociedade. Uma sociedade que se empobrece sendo o senhor um reflexo disso ao especificar que o trabalho da mulher a tempo inteiro não é útil ao país. Bolas... Quem o fará andar para a frente? Centre-se no que importa: as violações que ocorrem debaixo do seu nariz, o dinheiro que se furta da sua Igreja, a pobreza cada vez maior que se alastra pelo país e como pode a sua Igreja, que muito gosta de incitar o estender de mão ao pobre, mas sem sair do seu trono, ajudar. 
Essa história de o vinho ser o sangue de Cristo tem verdadeiramente muita graça. Ou Deus não existe, ou Jesus morreu por coma alcoólico a avaliar pelas declarações do novo Cardeal. Infeliz, muito infeliz.

O que tem o xarope de cenoura que ver com o Cardeal? Nada. Mas precisava de dizer que estou com uma tosse de cão, a produzir ranho que é uma coisa doida e que voltei à medicina tradicional tuga a ver se a coisa passa.