14.7.11

A noite

A seguinte pseudo-história, pseudo-normal, estúpida como tudo é baseada em factos reais. Qualquer semelhança com a realidade não é coincidência de todo.

Dados recolhidos na passagem de turno:
1. A senhora I está com alguma confusão mas não consegui perceber muito bem.
2. A senhora C está igual a ela mesma.
3. A senhora U tem alguns períodos de confusão.

Dados recolhidos:
1. A senhora I diz que está em 1985. Quando inquirida sobre o local onde se encontra, respondeu o seguinte (e, meus meninos, tenho que tirar o chapéu a esta resposta): "estou neste sítio onde o senhor está a fazer-me estas coisas".
2. A senhora C disse as seguintes coisas (suprimi a fala dos enfermeiros): Passei o dia comeci, começá. Não falo consigo em francês, porque efectivamente não necessitamos disso, porque estamos os dois a falar bom português. Não, não lhe deixo ver a minha fralda, não há necessidade disso, porque efectivamente eu já a vi e não tem nada. Não, não necessita, eu meti a mão na fralda para lhe poupar trabalhar e está seca como o deserto.
3. A senhora U passou o turno a tirar a cânula nasal que lhe dava o aporte de oxigénio. Quando fui ver se os doentes estavam bem, esta senhora tinha a cânula na testa, a dentadura debaixo da almofada (com esta idade ainda acreditar na fada dos dentes...ainda para mais não sendo os dentes originalmente dela), merda nas mãos, merda nos lençóis, na fralda e...txaraaaamm, na boca.

Conclusão:
1. A senhora I descende do ex-primeiro ministro Sócrates. Mesmo quando não sabe o que está a fazer, nem onde está, dá uma resposta tão rebuscada que se convence que os outros é que são burros e fazem perguntas ridículas.
2. A senhora C é a prova provadinha de que qualquer um pode ser político. Mesmo doido varrido existe uma coerência argumentativa excelente. Até chegar à parte prática em que a fralda está toda mijada.
3. A senhora U sofre de PPP - patologia de Peter Pan: ainda acredita na fada dos dentes, gosta de brincar com plasticina (estabeleçam as vossas comparações) e mete à boca tudo a que as mãos chegam.

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